A partir da Constituição Federal de 1988, passou a ser facultado aos analfabetos brasileiros o direito de votar. Sábia decisão dos constituintes que lhes deram a oportunidade de participar das decisões políticas do País, auferindo-lhes o direito de escolher seus representantes. No entanto, por se compreender que vivendo numa sociedade organizada com base na escrita, dominada por letras, números e códigos, e entendendo, sobretudo, que através do domínio da leitura (decodificação de letras e símbolos ) pode-se mais facilmente e com maior compreensão fazer-se uma leitura crítica de mundo, esta proposta tem como desafio maior desenvolver o projeto LER PARA ELEGER com o objetivo de ALFABETIZAR ELEITORES, como mais uma forma de contribuição social para a busca da plenitude da cidadania desses eleitores, que, uma vez compreendendo o seu papel enquanto eleitor/cidadão(ã), melhor compreenderá a realidade em que vive e nela poderá intervir com maiores chances de acertos. Além do mais, os programas de governo dos candidatos não são expostos, em sua totalidade, nos meios de comunicação visual e/ ou auditiva (televisão e rádio ) e são, em boa parte, veiculados em material escrito. Aquele (a) que não domina a escrita/leitura fica em desvantagem neste contexto.

A preocupação político - pedagógica deste projeto é cuidar para que os eleitores analfabetos sejam cidadãos e cidadãs alfabetizados, inserindo-os no processo educacional, político e social do seu país, já que só a garantia do direito de votar não lhes assegura acesso pleno aos direitos constitucionais básicos. Assim, sua escolarização (politizada) resgatar-lhe-á a dignidade, a conscientização do seu direito devotar e ser votado e da importância do voto para o exercício pleno da cidadania.

Se aprovado este projeto, o TRE-PI estará dando três saltos de qualidade. Primeiro porque ousa transcender as suas ações jurídico legais que é o de jurisdicionar e organizar eleições. Segundo dá um grande passo em direção ao aprimoramento do exercício dos direitos políticos dos eleitores sob sua jurisdição através da alfabetização.

Terceiro porque se insere no contexto das políticas sociais no momento em que os Estados e os Municípios voltam suas ações para a erradicação do analfabetismo.

 
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